Suicídio mata mais policiais do que operações e confrontos

Atualizado: 4 de Out de 2019

O número de policiais que se suicidaram de 2017 a 2018 cresceu 112%, aponta estudo. Em 2018 cerca de 104 profissionais da área de segurança pública tiraram suas próprias vidas.


Apesar de o mês de setembro ter se encerrado na última segunda-feira, a valorização da vida e prevenção ao suicídio devem continuar. Números divulgados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam que o suicídio tem sido a principal causa de mortes entre profissionais de segurança pública, superando assassinatos decorrentes de confrontos com criminosos.


Com base nesses números, os Poderes Legislativo e Executivo têm demonstrado preocupação com a saúde mental desses agentes. Nessa terça-feira (01/10), na abertura do Fórum Nacional de Ouvidores do Sistema Único de Segurança Pública, o ministro da Justiça, Sergio Moro, disse que “o público que trabalha na segurança pública muitas vezes está submetido à pressão desumana, refletida nos altos índices de suicídio de agentes policiais. Isso realmente é muito preocupante, mas estamos atentos a essa questão”


No Congresso Nacional, por sua vez, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou na semana passada o Projeto de Lei 4815/2019, do senador Alessandro Vieira (CIDADANIA/SE), que prevê a realização de ações destinadas à prevenção do suicídio e a publicação anual de dados sobre suicídio entre profissionais de segurança pública e defesa social. A matéria aguarda deliberação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), de onde seguirá para a Câmara dos Deputados.


Na Câmara, a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO), aprovou um requerimento de autoria do deputado Capitão Alberto Neto (REPUBLICANOS/AM), que solicita a realização de audiência pública para debater sobre o alto índice de transtornos mentais que são gatilho para o suicídio que acometem policiais e agentes no País. A audiência pública deverá ocorrer no próximo dia 30 deste mês.


Além desse requerimento, os deputados federais Ivan Valente (PSOL-SP) e Helder Salomão (PT-SP) apresentaram também uma solicitação de audiência pública para debater as altas taxas de suicídios e transtornos psicológicos que afetam os profissionais da segurança pública na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), que ainda não foi votado.


O requerimento pretende, além de discutir o assunto, procurar entender o que o Governo Federal tem feito para reduzir esses índices. Os deputados alertam também sobre o acesso a armas de fogos, pois é por este meio que a maioria dos suicídios são consumados.


Existem hoje diversos estudos sobre o adoecimento desses profissionais, que, infelizmente, está cada vez mais eminente na sociedade brasileira. Vale ressaltar, ainda, que este fenômeno não é exclusivo do Brasil, mas que ocorre também em outros países, como, por exemplo, nos Estados Unidos, onde cerca de 140 policiais tiraram suas vidas no ano de 2017, ficando na frente até mesmo na porcentagem de policiais que perderam a vida em serviço,129.


No artigo publicado recentemente pelo O Globo¹, é citada uma pesquisa da Ruderman Family Foundation, na qual pesquisadores explicitam os motivos que levam os agentes a tirarem suas vidas: ''combinação de transtornos mentais, incluindo depressão e estresse pós-traumático''.


O governo, de fato, precisa se preocupar com aqueles que deveriam cuidar e proteger a nossa sociedade.

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¹ Disponível em: https://oglobo.globo.com/brasil/suicidio-de-policiais-supera-mortes-em-operacoes-no-paisaponta-relatorio-23950319?utm_source=aplicativoOGlobo [Acessado em 03/10/19].

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Guilherme Barros

Integrante da Metapolítica, graduando em Gestão de Agronegócios pela Universidade de Brasília

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