Romaria com dinheiro alheio

A canonização no último domingo (13), pelo Vaticano, da Santa Dulce dos Pobres, levou milhares de pessoas do Brasil e do mundo a ir até Roma, inclusive deputados, senadores, ministros e, até mesmo, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão.


Reprodução/ Twitter: @generalmourao

A comitiva contava com quase 40 nomes, dos quais Mourão era o chefe de delegação. Representando o Brasil estavam Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado; Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara; ministro Dias Toffoli, presidente do STF; Augusto Aras, Procurador-Geral da República (PGR); Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde; ex-presidente José Sarney, entre outros nomes conhecidos do meio político.


Mas a peregrinação para acompanhar a canonização não ficou barata para os cofres públicos, visto que uma diária internacional de um só deputado pode ser de até US$ 428, ou seja, cerca de R$ 1.776,20 e para um senador, de US$ 416, ou R$ 1.726,40. Embora muitos tenham abdicado de seus ‘direitos’ e optado a ficar na embaixada brasileira no Vaticano, houve, ainda, quem utilizasse as verbas públicas para o evento.


Somente a viagem de Aras (PGR) chegou a ser orçada em R$ 67 mil. O orçamento cobria passagem, hospedagem, translado e alimentação. No entanto, em nota ao portal Metrópoles, Augusto Aras afirmou não ter utilizado o dinheiro público ainda que lhe fosse permitido por lei, por se tratar de um evento oficial, onde ele estava indo na condição de Representante do Ministério Público, além de ter recebido convite direto da Presidência.



Marcelo Camargo/Agência Brasil

Aras disse: “Eu paguei minhas passagens com o meu dinheiro. O doutor Alcides pagou as passagens dele e da esposa com dinheiro privado. Nós poderíamos não ter feito isso, porque o convite que nos foi feito pela Presidência da República oferecia custear todas as despesas, por se tratar de um evento do Estado brasileiro a convite do Estado estrangeiro’’.


Preocupado com os valores apresentados pelas autoridades para ir até ao Vaticano, o subprocurador-geral junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) Lucas Rocha Furtado pediu à corte de contas que apure a legalidade e transparência dos gastos do poder público com viagens de autoridades para a cerimônia de canonização da Irmã Dulce.


Lucas escreveu: "Ainda que se defenda haver amparo legal para o custeio de viagens oficiais para a cerimônia de canonização da Irmã Dulce, entendo que o tipo de despesa que se pretende realizar, caso exorbitante e fora da razoabilidade afronta o princípio da moralidade".


Independente da legalidade ou moralidade do ato, é preciso ter em mente o que a Santa Dulce dos Pobres sempre disse: “É preciso ter certeza de estar fazendo a coisa certa”.


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Guilherme Barros

Integrante da Metapolítica, graduando em Gestão de Agronegócios pela Universidade de Brasília

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