Pesquisa sobre a conjuntura política de 2018

Atualizado: 10 de Mar de 2018

Introdução e metodologia


A pesquisa da Metapolítica é um levantamento feito por amostragem aleatória simples do universo dos 513 parlamentares da Câmara dos Deputados. Nos dias 5 e 6 deste mês (primeira semana de trabalhos legislativos em 2018), foram entrevistados presencialmente 121 deputados federais, de 23 partidos diferentes, de todas as regiões do país e de 26 estados. A margem de erro desse levantamento é de 6,5% e o intervalo de confiança de 90%.


Foram feitas sete perguntas aos parlamentares a respeito da conjuntura política deste ano e de suas perspectivas para as eleições gerais de outubro.


Prezou-se pelo sigilo das respostas individuais dos deputados, de modo que o interesse foi tão somente pelo resultado geral da pesquisa, que pode ser acessado através do endereço www.metapolitica.com.br/pesquisas.


Expectativa de baixa produtividade


Em um ano de atividades periódicas de grande amplitude como a Copa do Mundo e as eleições gerais, a maioria expressiva dos deputados acredita o ano de 2018 será pouco ou nada produtivo no parlamento nacional.


Dos entrevistados, 60,33% acreditam que o ano será “pouco produtivo”, 23,14% “muito produtivo”, 14,88%, “nada produtivo” e 1,65% não souberam ou não responderam. A região Norte foi a que mais teve deputados que acham que o parlamento será “muito produtivo” em 2018, tendo 43,75% dos entrevistados escolhido essa opção.


Reformas devem dominar a pauta


No que diz respeito aos temas prioritários do Congresso Nacional, mais da metade (54,41%) dos entrevistados acredita que a pauta reformista deverá predominar em 2018. Dessa agenda, a Reforma da Previdência desponta em primeiro lugar, com 26,21% das respostas, seguida pela Reforma Tributária, com 15,38%, e das Privatizações, apontada por 12,82% dos deputados.


Em contrapartida, pouco mais de 2% dos entrevistados acham que a Segurança será um dos principais temas deste ano. Apenas oito deputados escolheram essa opção. Isso destoa da intervenção federal em curso no Rio de Janeiro, como resposta à insegurança no estado, e do anúncio da criação do Ministério da Segurança, feito na última semana.


Além disso, os discursos do presidente da República e dos presidentes da Câmara e do Senado, na sessão de retomada dos trabalhos legislativos, elencaram a Segurança Pública como uma das prioridades de 2018, conforme mostrou também a reportagem do Correio Braziliense, de 12 de fevereiro. No entanto, é possível inferir que o tema seja efetivamente priorizado a partir dessas medidas e, de certa forma, como uma imposição da agenda de “cima para baixo”.

Condenação de Lula deve alterar o cenário eleitoral


Levando em consideração a condenação em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os deputados opinaram sobre a influência desse fato no cenário eleitoral deste ano. Os entrevistados deveriam escalonar de “0” a “10” a intensidade dessa alteração, sendo “0” nenhuma alteração e “10” plena alteração.


Com esse desenho, considera-se que de “0” a “4” a avaliação é de pouca a média influência no cenário eleitoral, a opção “5”, média influência, e as opções de “6” a “10” de média a muita influência. Assim, 62,81% dos entrevistados acreditam que esse fato terá muita influência nas eleições de outubro, enquanto 21,49% acham que a condenação de Lula exercerá pouca alteração no cenário eleitoral.

4,13% dos entrevistados não souberam ou não responderam.


Maioria se mostra cética quanto à Reforma da Previdência


Em relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Reforma da Previdência – PEC 287/2016 – a maioria dos deputados revela ceticismo quanto ao discurso do governo. 74,38% dos entrevistados acham que o relatório do deputado Arthur Oliveira Maia (PPS/BA), aprovado na Comissão Especial, não é o suficiente para “solucionar a questão previdenciária do país”.


Além disso, 69,42% não acreditam que o texto mencionado seja suficiente para “acabar com os ‘privilégios’ dos servidores públicos”. Esse resultado contraria dois dos principais argumentos do governo para a aprovação da Reforma.


Votação da Reforma da Previdência revela ambiguidade sobre influência nas eleições


Para a maioria (64,46%) dos entrevistados, a Reforma da Previdência deve influenciar o resultado das eleições gerais de outubro. 31,4% acreditam que isso não deva acontecer. 4,13% não souberam ou não responderam.


Esse resultado, no entanto, mostra uma ambiguidade quanto à pergunta sobre a alteração que a imagem do parlamentar poderia sofrer diante do eleitorado, dependendo do seu voto na matéria. Os entrevistados deveriam escalonar de “0” a “10” a intensidade dessa alteração, sendo “0” nenhuma alteração e “10” plena alteração. Com esse desenho, considera-se que de “0” a “4” a avaliação é de pouca a média alteração na sua imagem, a opção “5”, média alteração, e as opções de “6” a “10” de média a muita alteração.


Dessa maneira, é curioso observar que praticamente a mesma proporção dos entrevistados optou por alternativas antagônicas: 28,93% escolheram a opção “10” e 28,10% escolheram a opção “0”.

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