O medo do fim adoece

A humanidade, de tempos em tempos, é submetida à prova: epidemias, desastres naturais e guerras testam, periodicamente, a nossa capacidade de resistir ao caos. A preocupação sobre o fim do mundo não é exclusiva de religiosos milenaristas, pois tem acometido inúmeras pessoas ao redor do globo. O medo do fim adoece.




Sintonize o rádio (se você ainda faz isso), assista à TV ou simplesmente acesse qualquer página da internet e não será mais possível desviar-se do onipresente assunto da pandemia (só esse nome já causa estranheza). Felizmente, o conteúdo disponível não é apenas sobre tragédias e problemas. Há também muita gente querendo ajudar, com estratégias de relaxamento na quarentena, por exemplo, que aparecem vez ou outra, algumas até sorrateiramente, entre intervalos de um programa ou no meio de inúmeras postagens de uma rede social.


Mas a realidade é dura. O número de infectados e de óbitos aumentam a cada dia, e pouco se sabe (mesmo porque pouco se fala) sobre os casos de cura. Nessa programação, o medo e o pânico são protagonistas, porque a ideia permanentemente veiculada é a de que o mundo pode acabar amanhã.


A única medida preventiva recomendada pelas autoridades sanitárias é o isolamento social. A comunicação com familiares e amigos é feita virtualmente, pois o contato de carne e osso é só com quem partilha a mesma residência (e não leve a mão ao rosto). Estamos diante de um cenário novo para a humanidade e o ajuste comportamental necessário não é fácil para ninguém, porém ainda mais difícil para muitos.


Segundo uma pesquisa que está sendo realizada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o número de depressão e ansiedade tem aumentado significativamente durante a pandemia. Os casos de depressão aumentaram cerca de 100% e os casos de ansiedade, 80%. As mulheres são o grupo mais afetado pela ansiedade, e esse quadro tem fatores de risco como doenças preexistentes, sedentarismo, má alimentação e a necessidade de sair para o trabalho. A pesquisa acrescenta que aqueles que não têm contato com crianças ou que moram com idosos são mais propensos a desenvolver depressão.


Na última quarta-feira (13), a Organização das Nações Unidas (ONU) publicou um relatório em que enfatiza a necessidade de os países considerarem as políticas de saúde mental como essenciais no combate ao Covid-19, especialmente porque, concomitante ao aumento de casos de ansiedade e depressão, houve uma drástica redução no oferecimento de serviços de saúde mental em muitos países.


Em contrapartida, a busca por terapia online aumentou desde o início do período de isolamento social e, de acordo com a pesquisa já mencionada da UERJ, as pessoas que procuraram esse serviço e praticaram os exercícios propostos apresentaram menos estresse e ansiedade.


Para aqueles com acesso à internet, procurar ajudar profissional online é uma opção. Mas muitos brasileiros ainda não têm esse acesso ou não têm condições financeiras para custear uma ajuda profissional, por exemplo. A propósito, o acesso à internet deveria ser considerado um direito fundamental, especialmente na situação que estamos enfrentando, uma vez que, sem acesso à internet, muitas pessoas perdem o contato, inclusive, com sua rede de apoio (familiares e amigos), o que é um sério fator de risco para a saúde mental.


O cenário de incerteza, sofrimento e dor não é o único existente. Ao lado de tudo isso, podemos ver também as inúmeras inciativas que pessoas e instituições têm tomado para amenizar o sofrimento material e mental de inúmeros brasileiros.


Nesse sentido, vale destacar a iniciativa de diversas entidades:

  • Escuta 60+: grupo de terapeutas que oferecem gratuitamente escuta e acolhimento por telefone: (11) 3280-8537 nos seguintes horários: seg. 15h/18h, ter. 9h/20h, qua. 9h/22h, qui. 9h/17h, sex. 9h/12h, sáb. não tem atendimento, dom.19h/22h.

  • Grupo Creare: grupo originalmente do Ceará, mas com psicólogos de todo o Brasil, que oferecem atendimento online e voluntário pelo Whatsapp.

  • Relações Simplificadas: grupo de profissionais que oferecem gratuitamente escuta e acolhimento por vídeo-chamada, mediante agendamento.

  • CVV: Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias.


Se você precisa ou conhece alguém que precisa de apoio, procure ou divulgue esses canais.


Mens sana in corpore sano.

Cuide-se!

Gustavo Tavares

Integrante da Metapolítica, bacharel em Ciência Política pela Universidade de Brasília.


Com colaboração de Giselle Tavares, bacharel em Psicologia pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub).

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