Bancada do agronegócio e liberação de defensivos

Atualizado: Mai 13



Muito criticada Brasil a fora, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) é uma das maiores e mais antiga frentes existente dentro do Parlamento brasileiro, abrigando atualmente 273 parlamentares, sendo 38 senadores e 235 deputados. Desde a década de 80, quando houve os primeiros registros de organização de um grupo político para atuar nessa pauta, a bancada só cresceu e ganhou força, o que a tornou um verdadeiro monopólio de decisões no que tange à agroindústria brasileira.


É visível que, de maneira geral, a bancada tem interesses em lutar por políticas públicas que fomentem o agronegócio brasileiro. Modificações quanto à reforma agrária, ampliação dos financiamentos rurais e demarcação de terras indígenas, são pautas em que a FPA atua intensamente.


Grandes defensores dos defensivos agrícolas, os parlamentares da Frente são também os responsáveis pela onda massiva de liberação e registro de novos agentes químicos para o campo neste ano. Até o presente momento (19/09), já foram autorizados cerca de 350 novos defensivos. Eles defendem a modernização das leis que tratam sobre os “agrotóxicos”, nome que se popularizou no Brasil e que tem forte carga negativa.


O motivo pelo qual os deputados lutam pela liberação de novos pesticidas é que, para atender o mercado nacional e internacional, é necessária uma produção de grande escala e por esse motivo não se pode ter perdas nas culturas com a infestação de fungos, plantas daninhas, insetos etc.


Recentemente a Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina (ex-presidente da FPA) ressaltou que a liberação de novos agentes químicos os tornam mais eficientes e menos tóxicos, uma vez que a legislação brasileira proíbe que um produto seja registrado se for mais tóxico ou de intensidade semelhante aos já disponíveis no mercado.



Na última segunda-feira (16/09) a Agência FPA divulgou dados que relatam a importância do uso de pesticidas nas plantações brasileiras. Segundo a agência, ‘’sem o uso de pesticidas a perda poderia ser 20% a 40% de toda produção nacional’’, o que poderia gerar inflação e até mesmo dificultar o acesso a esses produtos.


Na contramão dos que defendem os agrotóxicos, existem ainda aqueles que acreditam que a posição do governo em relação a esses agentes químicos é uma afronta ao meio ambiente e à saúde da população. Marina Lacôrte, do Greenpeace, disse ao Jornal Gazeta do Povo meses atrás que "o governo vem passando por cima da opinião pública e de órgãos de saúde, colocando em prática o ‘Pacote do Veneno’ com simples canetadas".


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Guilherme Barros

Integrante da Metapolítica, graduando em Gestão de Agronegócios pela Universidade de Brasília

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