Inbound Marketing e RIG

Para introduzir este assunto, será necessário primeiro darmos um norte sobre o que é o Inbound Marketing. Desta forma, será muito mais fácil e prático a compreensão deste artigo.


O Inbound Marketing emerge da necessidade de um marketing que traz pessoas certas a lugares certos e que tenha respostas à suas necessidades, de preferência. Se antes o prestador de serviço era quem te procurava pra vender determinado serviço/produto, hoje é você quem o procura. Durante muito tempo só Outbound Marketing era suficiente no mercado, até mesmo por falta de mecanismos/tecnologia para um novo meio de marketing.


As propagandas que vemos na televisão é um exemplo clássico do que conhecemos por Outbound Marketing: meio de comunicação unilateral, no qual não existe um estabelecimento de conversação, o telespectador não consegue tirar suas dúvidas, perguntar sobre benefícios e negociar descontos, por exemplo. Ele apenas recebe informação.


Foi com o advento das redes sociais e a possibilidade de as pessoas fazerem considerações sobre sua empresa que outros meios de venda se tornaram possíveis. Na internet você consegue estabelecer uma conexão com o seu público-alvo e se relacionar com ele de forma que ele consiga sanar possíveis dúvidas e, até mesmo, persuadi-lo da melhor forma aquele possível cliente. Além disso, você pode tornar a sua marca muito mais visível e, mesmo que não haja nenhuma ação finalizadora, o possível cliente começará a considerar sua empresa.


Mas afinal por que as empresas especializadas em Relações Institucional e Governamental (RIG) ainda estão distantes do Inbound Marketing?




O que se percebe hoje é que os ambientes em que estas empresas estão imersas é um meio muito delicado. Assim, angariar um novo cliente ou parceiro é muito mais fácil por networking, quando há compatibilidade de interesses, por exemplo, do que em um anúncio pelo google ads. Isso porque os presidentes de grandes empresas e entidades de classe tendem a jogar no campo daqueles que têm preferências políticas similares.


É importante lembrarmos também que o tradicionalismo das empresas de RIG impactam diretamente nas mais diversas formas de inovar na área. Hoje, por meio da utilização de dados, é possível fazer análises mais robustas, com maior precisão, sobre matérias que estão no Congresso Nacional, por exemplo. Mas isso é uma utopia para mais da metade, ou melhor, para a maioria das empresas que prestam o serviço de consultoria em RIG.


Vamos supor que a empresa Silva Consultoria Política atende 30 entidades de classe de servidores públicos e tem esse foco desde que foi fundada. É de se imaginar como esta empresa pode ficar estigmatizada no setor privado. Os bancos, por exemplo, não seriam o tipo de cliente que iria aderir aos serviços da Silva, por uma questão de conflito de interesses, mesmo que a Silva Consultoria não se posicione politicamente, porque o ambiente em que ela está tradicionalmente inserida favorece esse tipo de avaliação.


No Inbound Marketing um dos primeiros pilares para traçar metas é justamente definir sua persona, que é um personagem fictício traçado de acordo com os interesses e metas de uma determinada empresa, é este personagem que guiará a segmentação de campanhas e produções de conteúdos no geral. Assim, é fundamental definir corretamente a persona para que você não tenha tráfego não qualificado dentro das suas redes, ou seja, pessoas que não têm real interesse em seus produtos ou serviços.


É justamente neste ponto que as empresas de RIG ainda estão patinando: como definir uma persona que não seja limitada a um posicionamento ideológico? E que se importe muito mais com a qualidade dos serviços e produtos oferecidos?


Em um bate-papo com Gustavo Tavares, assessor da Metapolítica, ele defendeu que o Inbound Marketing pode ajudar em termos de posicionamento no mercado, fazendo com que uma empresa seja considerada como opção. Segundo ele, “a nossa atuação é baseada especialmente na confiança e na segurança que passamos para os nossos clientes e nossos interlocutores, tanto que a maior parte de contatos existentes ocorre por meio de indicação: um cliente indica nossos serviços para um colega, um amigo e vai sendo construída essa rede. Claro que o Inbound Marketing pode nos ajudar em termos de posicionamento no mercado, de ser mais visto, mas é difícil enxergá-lo como a porta principal para novas relações”.

Quando questionado sobre como deveria ser a conduta a ser adotada pelas consultorias para abranger diversos segmentos da sociedade e não haver conflitos de interesses, ou seja, para prestarem seus serviços de forma isenta e imparcial, Tavares ponderou: “precisamos enfrentar esse problema, mas, de fato, não se tem clareza quanto ao que configuraria conflitos de interesse na área de RIG. Por não existir um marco legal que regulamente a atuação nessa área, a definição de conflitos de interesse geralmente fica adstrita aos códigos de conduta de cada empresa”.

Para concluir, é perceptível que ainda há muitos campos a serem explorados até chegarmos a um cenário ideal em que os interessados no serviço possam se preocupar muito mais com a sua qualidade do que com quaisquer outros atributos que não trarão resultados. De fato, o recurso ao Inbound Marketing aplicado à RIG deve ser melhor pesquisado, a fim de sanar problemas existentes para que possamos alcançar os interessados de maneira muito mais eficiente.


Por enquanto, produção de conteúdo, investimentos em campanhas e métodos de SEO são formas de continuar acreditando que o Inbound Marketing trará resultados para as consultorias de RIG, mesmo que isso não aconteça de forma imediata.

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Guilherme Barros

Integrante da Metapolítica, graduando em Marketing Digital.

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