Coronavírus: instabilidade e incidente diplomático


Contornos de uma crise ainda sem medicação


Após os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Jair Bolsonaro, terem se reunido no último sábado (7) em Palm Beach, Flórida, os dois países adotaram um tom de que a crise do Coronavírus estava sendo superestimada e anunciaram tímidas ações para conter o problema.


Mas a situação de alerta foi intensificada após a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarar na quarta-feira (11) pandemia do novo Coronavírus (Sars-Cov-2), causador da doença Covid-19. Além disso, o diagnóstico positivo para o Covid-19 de Fábio Wajngarten, chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) do Governo Federal, presente no encontro entre Trump e Bolsonaro, também agravou o estado de atenção nos dois países e, principalmente, nas comitivas presentes no encontro.


Foto: Elpaís


Até o anúncio da OMS, tanto o governo dos EUA quanto o do Brasil minimizavam o potencial do Coronavírus e isso pôde ser sentido na fala de Bolsonaro ainda em solo norte-americano, segundo o qual “muito do que tem ali é muito fantasia, a questão do Coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propaga...”.


Os números de infectados em ambos os países, além dos na Europa e na Ásia, foco inicial da doença com os primeiros diagnósticos ainda em novembro de 2019, cresceram exponencialmente nas últimas 48 horas e o tom de ceticismo inicial de Trump e Bolsonaro foi abruptamente alterado. Esse movimento ficou claro pelos pronunciamentos de ambos em cadeia de rádio e TV dos respectivos países.


No caso do mandatário americano, Trump afirmou que “nós temos o melhor time no mundo e faremos muito esforço para proteger os americanos. A Europa falhou em tomar as precauções iniciais e isso resultou em um número grande de potenciais contaminados acessando os EUA”. Por sua vez, o chefe de Estado brasileiro disse que “nossa saúde e de nossos familiares devem ser preservadas. O momento é de união, serenidade e bom senso”. Horas antes no YouTube, o Presidente Bolsonaro, ao lado do ministro da Saúde, Luiz Mandetta, e da intérprete de libras, todos usando máscaras, afirmou, entre outras coisas, que tinha suspeita de ter contraído o vírus e que aguardava o resultado do seu exame. Já o ministro Mandetta afirmou que era o momento de prudência, especialmente em relação aos idosos, de evitar aglomerados, manter a etiqueta respiratória e os cuidados com as mãos.


O clima de aflição na Presidência da República só se acalmou agora há pouco, quando o presidente Bolsonaro anunciou em suas contas oficiais do Facebook e do Twitter que o seu exame testou negativo para o Covid-19.


Do ponto de vista financeiro, EUA, Reino Unido e Brasil aportaram, respectivamente, em seus países $50 bi, $44 bi e $1bi. Os valores refletem diretamente pelo menos duas variáveis importantes, primeiro, higidez monetária e, segundo, nível de preocupação com os impactos futuros da crise.


Após o susto causado pela possibilidade de contágio de dois dos principais presidentes do continente, a ficha caiu e o alerta ficou ainda mais iluminado, demonstrando que subestimar uma doença global, e ainda sem remédio conhecido, pode ser fatal, literalmente.

Além disso, considerando o período de incubação, as mutações e a relevante possibilidade de contaminação nas grandes cidades, as projeções apontam para um vultoso crescimento da doença.


O momento é de cautela e como humanidade precisamos buscar alternativas reais para esse momento extremo da nossa sociedade.


Sigamos firmes!


Jorge R. Mizael

Em dólares americanos, segundo a cotação da abertura do pregão desta sexta-feira (13/03/2020), R$ 4,78.

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