Agronegócio ante coronavírus

Atualizado: Mai 13

Com a chegada do novo coronavírus ao Brasil há cerca de um mês, já é possível fazer análises sobre os efeitos da pandemia no Agronegócio não só brasileiro, mas mundial? Estaríamos nós diante de um cenário de estagnação das cadeias produtivas no que tangem à agropecuária?

A agropecuária foi abarcada no que o Governo Federal vem chamando de “serviços essenciais”. Por meio da sua conta no Twitter, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, disse: “a agropecuária está incluída nos serviços essenciais porque o alimento é básico para a sobrevivência das pessoas”. Em diversos momentos Tereza Cristina vem afirmando que o povo brasileiro não precisa se preocupar com a falta de abastecimento.


Sabemos que muito do que consumimos é também produto importado, assim como exportamos muitas coisas. Contudo, muito se ouviu falar que, com o fechamento das fronteiras dos países vizinhos, isso poderia acarretar mais problemas logísticos e de fluidez das cargas que abastecem não só o Brasil, mas também nossos vizinhos. Entendendo que estes embargos poderiam causar diversos problemas de abastecimento, a ministra Tereza Cristina e outros 6 ministros dos países sul-americanos estabeleceram normas para garantir que este tráfego não ficasse prejudicado.


A conclusão dos ministros é de que, mesmo com o fechamentos das fronteiras rodoviárias para estrangeiros, não há restrições quanto a cargas agropecuárias. Preocupada ainda com os possíveis impactos caso houvesse problemas com as cargas agropecuárias entre países, Tereza Cristina ressaltou que no ano de 2019 o país exportou mais de US$ 3,7 bilhões em produtos agropecuários e, no mesmo período, importou US$ 5,8 bilhões para com os países que fazem fronteiras com o nosso.


Para que pudéssemos entender o debate sobre os possíveis impactos em torno da covid-19 no agronegócio, trouxemos para esta matéria a opinião do professor da UnB Marlon Brisola (Pós-doutor pela Facultad de Ciencias Económicas, Universidad de Buenos Aires, Argentina; Mestre em Ciências Agrárias, com especialização em Agronegócios (UnB); Graduado em Medicina Veterinária (UFMG) e membro do Grupo de Estudos do Mercosul). Respondendo, então, as perguntas que introduzem este texto, Marlon, disse:


É notório e indiscutível que as consequências da Pandemia do Covid-19 terão dimensões globais e de grande proporção. Os diversos países e setores produtivos encontrarão dificuldades para retornarem aos patamares econômicos e sociais de 2019, o que exigirá muita criatividade e estratégias dos diversos atores políticos, econômicos e das comunidades em geral, neles envolvidos. Os setores que envolvem o agronegócio não será exceção.

O Brasil, como importante player do agronegócio mundial, bem como as empresas e pessoas que compõem as suas cadeias e sistemas agroindustriais, sofrerão os efeitos advindos de suas demandas retraídas e da maior exposição de suas fragilidades, tais como os gargalos logísticos e de qualidade, já que empresas dos diversos setores estarão abaladas economicamente e com seus quadros de colaboradores afetados social e até psicologicamente. Creio que dois ou três anos será o tempo mínimo necessário para um rearranjo mercadológico e organizacional em âmbito global, com reflexos no ambiente interno de nosso país.

O professor comentou, ainda, sobre uma possível estagnação das cadeias produtivas:


A atual realidade nos tem levado a encontrar meios alternativos ao comércio - sobretudo de alimentos e produtos de primeira necessidade - e aos serviços, onde a internet se mostra como uma alternativa interessante; tem propiciado a geração de políticas públicas que atendam às necessidades dos menos favorecidos; e, principalmente, tem permitido o repensar nas melhores práticas e relações pessoais e societárias. Por meio dessas mudanças, nos âmbitos econômico, político e social, é possível vislumbrar o renascer de uma sociedade que permita quebrar barreiras e ampliar a capacidade de interação entre países e gerações, permitindo novos progressos - o que, em médio prazo, favorecerá os diversos setores produtivos, nos diversos países. Em destaque, a produção e distribuição de produtos do agronegócio podem levar vantagens especiais, já que o alimento é um insumo de qualquer ser humano presente no planeta, e o Brasil, um dos seus principais fornecedores.

De fato, o momento não é de desespero e pânico, embora o novo coronavírus venha assombrando o povo brasileiro. Com as afirmações que vêm sendo feitas pelas mais diversas autoridades do país, nós não sofreremos com a falta de abastecimento dos mercados, farmácias, padarias, entre outros estabelecimentos. Contudo, para que a ordem seja mantida e o caos não seja instalado, é evidente que a população brasileira deve colaborar com a não aglomeração em mercados e também não estocar mantimentos para que a oferta seja proporcional à demanda.


O tempo nos dirá como o agronegócio foi verdadeiramente impactado com a pandemia do novo coronavírus, mas evidentemente, como dito pelo professor, esta crise expõe ainda mais nossos gargalos logísticos e de qualidade.


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Guilherme Barros Integrante da Metapolítica, graduando em Gestão de Agronegócios e Marketing Digital.

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