AgroIndústria 4.0: Realidade ou Utopia?

O termo Indústria 4.0 ainda é algo relativamente novo no Brasil. A Quarta Revolução Industrial, como também é chamada, ganhou destaque em solo brasileiro quando as empresas multinacionais anunciaram investimentos nesta área tendo em vista a constante e rápida evolução da utilização de tecnologias muito mais inteligentes e adaptadas em outros países. As universidades também ganham muito destaque nessa vanguarda com incentivo à pesquisa e o aprimoramento de possíveis inovações para os mais diversos setores e até mesmo o Estado passou a incluir em suas pautas este tema, entendendo a necessidade de investimento em novas tecnologias para aumentar o potencial das suas cadeias produtivas.


Mas a AgroIndústria brasileira tem acompanhado essa mudança? Sim, há quem diga até que o precursor deste movimento no Brasil foi o próprio agro. Em sua matéria para o blog da CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o professor da USP e pesquisador Carlos Eduardo de Freitas, destaca que “a agricultura 4.0 está na vanguarda do processo no Brasil. A agricultura de precisão foi a primeira onda e a utilização de equipamentos georreferenciados.”




Mas como toda mudança exige um processo, a evolução da Indústria 4.0 no Brasil fica ainda muito flutuante e dependente de mão de obra qualificada. Os profissionais que se formaram há mais de 5 anos, por exemplo, não estavam tão bem preparados para essa realidade, visto que foram inseridos em um modelo de produção antigo, não que seja propriamente ultrapassado, mas pouco eficiente.


A aplicação do modelo de indústria 4.0 ajuda diretamente em pautas como sustentabilidade e eficiência, visto que os processos produtivos ficam muito mais inteligentes. O investimento em novas tecnologias para o setor agrícola, por exemplo, traz efeitos no curto, médio e longo prazo, um dos inúmeros benefícios é o próprio monitoramento dos hectares plantado com um manejo muito mais preciso.


Para que possa ficar ainda mais claro, vamos utilizar um exemplo real de como levar essa nova revolução industrial ao pé da letra. Neste exemplo, mostraremos o empreendimento de Luis Gustavo Silva Scarpari, fundador da Sardrones. A startup de Scarpari faz o controle de pragas por meio de drones. Com o drone ele consegue percorrer rapidamente uma área já identificada antes com ataque de pragas ou identificar uma nova e liberar os defensivos agrícolas, neste caso, biológicos. Scarpari não inovou apenas no drone, o enfrentamento proposto por ele faz uso de defensivos biológicos, ou seja, insetos vivos. Os insetos são, então, carregados pelo drone dentro de um compartimento biodegradável e soltos nos locais de infestação, processo que antes era feito manualmente por uma pessoa, que estava exposta a diversos perigos naturais.


Mas, afinal, por que é cada vez mais necessário que inovações como a de Scarpari sejam propostas e executadas? Primeiro porque nós temos que considerar a existência de um freio na massa migratória advinda do Nordeste, por exemplo. Por muito tempo foi essa mão de obra “barata” que sustentava os meios de produção. Em segundo lugar, com o aumento significativo de demanda do setor agrícola, a oferta deve estar sempre caminhando junto, mas para isso acontecer as mãos de obras humanas já não são mais suficientes, até mesmo por gerar muito mais custos, então, economicamente falando, é mais interessante investir em processos tecnológicos.


O serviço prestado por um único drone pode equivaler a dezenas de homens e mulheres, uma vez que ele tem muito menos problemas de deslocamento dentro dos hectares plantados, bem como não possui necessidades especiais, apesar de todos os cuidados técnicos necessários.


O Brasil ainda tem muito o que construir, descobrir e pesquisar para colher frutos prósperos com a AgroIndústria 4.0. Precisamos ainda de um salto imenso na capacitação de pessoas e desenvolvimento de novas tecnologias para colhermos verdadeiramente estes frutos em uma escala considerável, entretanto é inegável que as aplicações que já fazemos contribuem bastante para darmos prosseguimento na nossa colocação diante do mercado internacional.

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Guilherme Barros

Integrante da Metapolítica, graduando em Gestão de Agronegócios e Marketing Digital.

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