Longe de ser pop, o agronegócio ainda é um tabu

Sem comunicação não há imagem, sim, é isto mesmo! Só é possível construir a imagem de uma instituição se houver uma estrutura de comunicação empenhada em mostrar os valores e feitos da organização. É impossível que se tenha bons olhares para algo que é atacado noite e dia por grupos altamente financiados e bem articulados politicamente. O agro falha em não rebater no mesmo nível os ambientalistas críticos do setor, principalmente.

(foto: reprodução/Globo)

Longe de ser pop, o que paira sobre o agronegócio brasileiro é a desconfiança e, principalmente, o preconceito com o setor. Informações infundadas, cercadas de meros ideologismos e, financiadas, muitas vez por terceiros, são de fato as que mais atingem a população e causam uma ignorância generalizada.


Mesmo sendo responsável por aproximadamente ¼ do Produto Interno Bruto (PIB), os produtores rurais são vistos diariamente como latifundiários, desmatadores e, até mesmo, inimigos dos povos indígenas Ao que é totalmente fora de contexto e deslocado da realidade. Claro, não levamos vendas aos olhos e dizemos “não há nada de errado” , há, sim, como qualquer outro setor, problemas.


Em tempos de era digital em que todos têm acesso ao que quiser e algumas pessoas influenciam milhares de outras, é necessário que se faça alguns questionamentos: qual informação viraliza e chega ao conhecimento dos consumidores? A dos famosos (com pouco ou nada de conhecimento técnico) ou de pessoas especializadas que entende a raiz, o setor? É nesse questionamento que o agro se perde, estabeleceu-se uma cultura de que quem conta a história do agronegócio são os seus desafetos.


Mas por que um setor altamente produtivo e lucrativo, que garante comida para todos e barata, diga-se de passagem, ainda enfrenta uma onda tão grande de revanchismo?

Embora o agro seja, de fato, tech, ainda precisa avançar em algumas práticas e processos, e o principal: ainda falta uma boa comunicação. Nas últimas décadas, o Brasil, tem sido o país que mais se destacou no que diz respeito à produção de grãos e proteínas animais: somos exportadores para os maiores mercados mundiais, abastecendo múltiplos continentes e, claro, garantindo comida de qualidade internamente. Mas o setor deixa passar as oportunidades que tem para comunicar os seus feitos aos consumidores.


Nas últimas décadas, a agropecuária disparou, conseguimos aumentar a produtividade por hectares, aplicação dos modelos de indústria 4.0 que contribuiu, inclusive, para a sustentabilidade da atividade, mas o setor simplesmente se esqueceu de mostrar isso à sociedade. A história do agronegócio brasileiro, no fim das contas, acaba sendo contada por seus detratores, como dito anteriormente.


Uma pesquisa realizada pela ABERJE (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial) em conjunto com a ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio), denominada “A comunicação do agronegócio no Brasil”, revela que somente 28% das empresas do setor tem uma comunicação estruturada em nível de diretoria ou vice-presidência.

A pesquisa revela, ainda, que dos 60 maiores grupos do agro do país, 10% não têm qualquer estrutura de comunicação. Vale ressaltar que este grupo junto tem faturamento de aproximadamente cerca de R$ 800 bilhões.


Sabemos que a imagem é a percepção que pessoas têm acerca de um produto, serviço, organização ou marca. A imagem é o que efetivamente aparece para o público, e é como este percebe aquilo que é retratado por ela. A imagem de uma organização, produto ou serviço pode ser resumida dentro de muitos adjetivos positivos, como “jovem”, “ágil”, “amigável”, etc, mas também o verso da moeda é válido, com adjetivos negativos, como “corrupta”, “desmatadora”, “poluidora” e outros.


Ter uma comunicação estruturada é o principal pilar para a manutenção e criação da imagem de um negócio. “Informações que não circulam não são informações, são apenas recordações. São como fotos antigas que guardamos em nossa gavetas” - Alfredo Martini .


Guilherme Barros

Integrante da Metapolítica, graduando em Gestão de Agronegócios pela Universidade de Brasília (UnB).

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